O maior custo e o mais difícil de auditar

Na maioria das frotas, o combustível é a primeira ou a segunda linha do orçamento operacional. E, mesmo assim, é a que menos se controla em detalhe.

O motivo é simples: quase todo o resto deixa rastro. Um pneu é trocado e existe uma nota. Uma revisão é feita e existe uma ordem de serviço. Mas o combustível é consumido litro a litro, todos os dias, em dezenas de abastecimentos diferentes, e o único registro costuma ser um cupom e uma planilha que fecha no fim do mês.

Quando o número aparece, já aconteceu tudo o que tinha que acontecer.

Por que a perda fica invisível

O problema não é a frota consumir combustível. É consumir mais do que deveria sem forma de ver para onde foi.

Segundo os benchmarks do setor, entre direção ineficiente, marcha lenta e desvios não autorizados, uma frota sem telemetria pode perder cerca de 18% do consumo real. E boa parte desse percentual se esconde em três pontos cegos:

  • A marcha lenta. Um veículo parado com o motor ligado não anda um metro, mas queima combustível do mesmo jeito. Estudos do setor colocam o tempo perdido em marcha lenta na ordem de 30-40% do tempo operacional em certas operações.
  • A direção ineficiente. Acelerações bruscas, freadas, excesso de velocidade. Dois motoristas na mesma rota podem ter diferenças de dois dígitos.
  • O desvio. Sifonamento, descargas não autorizadas, abastecimentos que são cobrados mas não entram inteiros no tanque.

Nenhum dos três aparece no cupom. Todos aparecem, somados e sem nome, no número do fim do mês.

Da suspeita à impotência

Quase todo gestor de frota suspeita que perde combustível. O que não tem é como provar.

E a suspeita sem evidência é o pior lugar possível: você sabe que o dinheiro está indo, mas não pode agir. Não dá para falar com um motorista sem um dado concreto. Não dá para ajustar uma rota se você não sabe qual consome mais. Não dá para denunciar um desvio que não consegue demonstrar.

A conversa fica no “acho que tem algo estranho” e o mês seguinte fecha com o mesmo buraco.

A virada: medir na hora, não no fim do mês

A diferença entre uma frota que controla o combustível e uma que sofre com ele não está no preço do diesel. Está em quando você vê o dado.

A telemetria muda a unidade de tempo do controle. No lugar de um número mensal, agregado e cego, você tem:

  • O nível de combustível do tanque em tempo real, que cai quando deveria estar parado.
  • O consumo por veículo e por rota, que mostra quem gasta mais e onde.
  • A posição cruzada com os abastecimentos, que localiza cada evento com hora e lugar.

Isso transforma “acho que perdemos combustível” em “este veículo, nesta rota, neste dia, consumiu 22% acima da média”. E sobre isso dá para agir.

O que se mede, se pode recuperar

O combustível tem uma particularidade que nenhum outro custo grande tem: dá para reduzir sem vender um veículo nem demitir ninguém. Só é preciso enxergar a tempo.

O primeiro passo não é comprar tecnologia. É parar de esperar o fim do mês para descobrir o que você já não pode mudar.


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